Fazer o dinheiro chegar ao fim do mês começa antes de começar a gastar. Para muitas pessoas, o problema não acontece porque existe uma única despesa muito grande, mas porque o salário vai sendo consumido por pequenas compras, transportes, alimentação, transferências e pagamentos que, quando somados, deixam pouco dinheiro para os últimos dias do mês.
A solução não é necessariamente ganhar mais. Embora aumentar o rendimento possa melhorar a situação financeira, uma pessoa também pode começar por organizar melhor aquilo que já recebe.
Quando o salário entra, é importante perceber que o saldo disponível não representa necessariamente dinheiro livre. Uma parte já está comprometida com despesas que terão de ser pagas durante o mês.
Se alguém recebe 25.000 MT e sabe que precisa de 10.000 MT para renda, 6.000 MT para alimentação e 3.000 MT para transporte, não possui realmente 25.000 MT disponíveis para gastar. Grande parte do rendimento já tem uma função definida.
É essa diferença entre dinheiro recebido e dinheiro realmente disponível que muitas vezes provoca problemas no final do mês.
O erro de gastar mais porque acabou de receber
Os primeiros dias depois do salário podem criar uma sensação de abundância.
Depois de vários dias a controlar despesas, receber o salário dá a impressão de que finalmente existe dinheiro suficiente para fazer algumas compras, sair, ajudar familiares ou comprar algo que estava a ser adiado.
O problema aparece quando várias dessas decisões acontecem ao mesmo tempo.
Uma compra de 500 MT pode não parecer importante. Uma refeição de 700 MT também pode parecer suportável. Mais 300 MT numa deslocação e outros 500 MT numa compra não planeada continuam a parecer valores pequenos.
Mas, se durante uma semana essas despesas adicionais somarem 3.000 MT ou 4.000 MT, já representam uma parte considerável de um salário mais baixo.
O dinheiro não desapareceu de uma vez. Foi desaparecendo aos poucos.
Divida o salário pelo mês inteiro
Uma maneira simples de perceber quanto pode gastar é deixar de pensar apenas no salário total e começar a pensar no período que esse dinheiro precisa cobrir.
Imagine que recebe 20.000 MT e que, depois das despesas fixas, ficam 10.000 MT para alimentação, transporte e outras despesas variáveis.
Se esse valor tiver de durar 30 dias, gastar 5.000 MT na primeira semana pode criar dificuldades nas semanas seguintes.
Isso não significa que deve dividir exactamente 10.000 MT por 30 dias e nunca ultrapassar o valor diário. Algumas despesas não acontecem todos os dias.
O objectivo é apenas criar uma referência.
Quando sabe que determinado valor precisa durar até ao próximo salário, fica mais difícil confundir o saldo da conta com dinheiro disponível para gastar.
Separe primeiro as despesas que não podem esperar
Quando recebe o salário, comece pelas despesas que obrigatoriamente terão de ser pagas.
Renda, prestação, alimentação, transporte, energia, água, escola e outras obrigações devem ser consideradas antes das despesas de lazer ou compras que podem esperar.
Isso pode parecer básico, mas muda a forma como se olha para o dinheiro.
Se a renda ainda não foi paga, o valor correspondente não deve ser tratado como dinheiro disponível só porque continua na conta.
O mesmo acontece com uma factura que vence mais tarde.
O saldo bancário pode mostrar 20.000 MT, mas se 8.000 MT já estão destinados a despesas futuras, o valor realmente livre é muito menor.
Crie um limite para as despesas que variam
Algumas despesas são relativamente previsíveis. Se paga 5.000 MT de renda todos os meses, consegue incluir esse valor no orçamento com facilidade.
Outras mudam de semana para semana.
Alimentação, transporte, lazer e pequenas compras podem aumentar sem que seja imediatamente perceptível.
Por isso, é útil definir um limite mensal para essas despesas.
Se decidiu que pode gastar 6.000 MT em alimentação fora de casa e lazer, não significa que precisa de gastar os 6.000 MT. Significa que esse valor representa o limite que não deve ultrapassar.
Se gastar menos, o dinheiro que sobra pode ser destinado à poupança ou permanecer como margem para imprevistos.
Cuidado com as pequenas despesas
As pequenas despesas são particularmente perigosas porque raramente parecem importantes no momento da compra.
Pagar 100 MT, 200 MT ou 300 MT várias vezes ao longo do dia pode parecer normal.
O problema é a frequência.
Se uma pessoa gasta 250 MT adicionais por dia durante 20 dias, são 5.000 MT ao longo do mês.
É por isso que controlar o dinheiro não significa necessariamente eliminar todas as pequenas despesas. Significa saber quanto elas representam quando acumuladas.
Durante um mês, experimente anotar até as despesas mais pequenas. No final, poderá descobrir que parte do salário está a ser consumida por coisas que individualmente pareciam insignificantes.
Não use o dinheiro do próximo mês para resolver o actual
Quando o dinheiro acaba antes do salário, algumas pessoas recorrem imediatamente a empréstimos, crédito ou adiantamentos.
Em determinadas situações, isso pode ser inevitável. Mas quando acontece todos os meses, existe um problema no orçamento.
Se recebe 20.000 MT, gasta 23.000 MT e precisa de pedir 3.000 MT emprestados para chegar ao próximo salário, no mês seguinte começará com uma parte do rendimento já comprometida.
Se esse ciclo continuar, a dívida pode crescer e reduzir cada vez mais o dinheiro disponível.
Por isso, quando perceber que o salário não está a chegar ao fim do mês, não deve simplesmente tentar encontrar uma nova fonte de crédito.
Primeiro precisa descobrir por que razão o dinheiro está a acabar.
Reserve algum dinheiro para os imprevistos
Um orçamento sem margem para imprevistos pode funcionar apenas quando tudo corre bem.
Mas a vida financeira raramente funciona dessa maneira.
Pode surgir uma reparação, uma despesa médica, uma viagem inesperada ou qualquer outra situação que não estava prevista.
Se todo o salário estiver comprometido, qualquer imprevisto pode obrigar a reduzir despesas essenciais ou pedir dinheiro emprestado.
Mesmo que consiga separar apenas 500 MT por mês, essa quantia pode começar a criar uma pequena reserva.
Ao longo de um ano, 500 MT mensais representam 6.000 MT acumulados, desde que o dinheiro não seja utilizado.
A reserva não precisa de ser construída rapidamente. O mais importante é começar.
Não transforme o orçamento numa prisão
Organizar o dinheiro não significa que nunca mais poderá sair, comer fora ou comprar alguma coisa de que gosta.
Um orçamento demasiado rígido pode ser difícil de manter.
Se todo o dinheiro for destinado exclusivamente a despesas obrigatórias, é provável que, em algum momento, a pessoa abandone completamente o plano.
É melhor incluir algum espaço para lazer dentro das possibilidades do salário.
O importante é saber quanto pode gastar sem comprometer as necessidades essenciais.
Se pode gastar 1.000 MT em lazer naquele mês, não precisa de sentir que está a cometer um erro ao utilizar esse dinheiro. O problema seria gastar 3.000 MT ou 4.000 MT sem perceber que esse valor terá de sair de alguma outra parte do orçamento.
Reveja o orçamento quando os preços mudarem
Um orçamento não deve ser criado uma vez e abandonado durante todo o ano.
Os preços podem mudar e algumas despesas podem aumentar.
Se gastava 5.000 MT em alimentação e agora precisa regularmente de 6.000 MT, simplesmente manter o antigo valor no papel não resolve o problema.
É necessário perceber onde encontrar a diferença.
Pode reduzir outra despesa, procurar alternativas, aumentar temporariamente o rendimento ou ajustar o valor destinado à poupança.
O importante é não ignorar a mudança.
Um orçamento só é útil quando representa a realidade.
O salário deve durar até ao próximo salário
Fazer o dinheiro chegar ao fim do mês não depende de descobrir um truque financeiro.
Depende principalmente de saber quanto recebe, quanto já está comprometido e quanto pode gastar sem prejudicar as semanas seguintes.
O primeiro passo é deixar de olhar para o salário como um único montante disponível.
Depois, é necessário separar as despesas essenciais, controlar as despesas variáveis e criar uma pequena margem para imprevistos.
Também é importante observar os primeiros dias depois de receber. Se metade do dinheiro disponível para despesas variáveis desaparecer na primeira semana, existe uma boa probabilidade de os últimos dias serem difíceis.
A solução não precisa de ser complicada.
Antes de gastar, pergunte quanto dinheiro precisa durar e quais despesas ainda estão por pagar.
Se recebe 30.000 MT, o objectivo não deve ser simplesmente chegar ao fim do mês com 0 MT. O ideal é conseguir pagar as despesas, manter uma pequena margem e, quando possível, terminar o mês com algum dinheiro destinado à poupança.
No início, talvez seja difícil.
Mas depois de alguns meses a acompanhar os gastos, começa a perceber onde o dinheiro realmente está a desaparecer.
E essa informação vale mais do que qualquer regra financeira genérica.
Quando sabe para onde vai o seu dinheiro, torna-se muito mais fácil decidir para onde ele deve ir.
Fazer o dinheiro chegar ao fim do mês não significa deixar de viver. Significa impedir que os primeiros dias consumam aquilo que deveria sustentar os restantes.


